18/10/2019 22:57
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Deus

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#11   
A primeira vez que li este poema foi em Italiano e achei a tradução muito mais bonita que a Portuguesa, caso alguem saiba ler fica aqui tambem...

Lentamente muore

Lentamente muore chi diventa schiavo  dell'abitudine, ripetendo ogni
  giorno gli stessi percorsi, chi non cambia la marca, chi non
  rischia e cambia colore dei vestiti, chi non parla a chi non conosce.

  Muore lentamente chi evita una passione, chi preferisce il nero su
  bianco e i puntini sulle "i" piuttosto che un insieme di emozioni,
  proprio quelle che fanno brillare gli occhi, quelle che fanno di uno
  sbadiglio un sorriso, quelle che fanno battere il cuore davanti
  all'errore e ai sentimenti.

  Lentamente muore chi non capovolge il tavolo, chi è infelice sul
  lavoro, chi non rischia la certezza per l'incertezza, per inseguire un
  sogno, chi non si permette almeno una volta nella vita di fuggire ai
  consigli sensati. Lentamente muore chi non viaggia, chi non legge, chi
  non ascolta musica, chi non trova grazia in se stesso. Muore lentamente
  chi distrugge l'amor proprio, chi non si lascia aiutare; chi passa i
  giorni a lamentarsi della propria sfortuna o della pioggia incessante.

  Lentamente muore chi abbandona un progetto prima di iniziarlo, chi non
  fa domande sugli argomenti che non conosce, chi non risponde quando gli
  chiedono qualcosa che conosce.

  Evitiamo la morte a piccole dosi, ricordando sempre che essere vivo
  richiede uno sforzo di gran lunga maggiore del semplice fatto di
  respirare.
  Soltanto l'ardente pazienza porterà al raggiungimento di una splendida
  felicità.

Deus

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#12   
Para ser grande, sê inteiro: nada
  Teu exagera ou exclui.
  Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
  No mínimo que fazes.
  Assim em cada lago a lua toda
  Brilha, porque alta vive.

Ricardo Reis

deophanto

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#13   
A Vida


  Ó grandes olhos outomnaes! mysticas luzes! 
  Mais tristes do que o amor, solemnes como as cruzes! 
  Ó olhos pretos! olhos pretos! olhos cor 
  Da capa d'Hamlet, das gangrenas do Senhor! 
  Ó olhos negros como noites, como poços! 
  Ó fontes de luar, n'um corpo todo ossos! 
  Ó puros como o céu! ó tristes como levas 
  De degredados! 
   
      Ó Quarta-feira de Trevas! 
   
  Vossa luz é maior, que a de trez luas-cheias: 
  Sois vós que allumiaes os prezos, nas cadeias, 
  Ó velas do perdão! candeias da desgraça! 
  Ó grandes olhos outomnaes, cheios de Graça! 
  Olhos accezos como altares de novena! 
  Olhos de genio, aonde o Bardo molha a penna! 
  Ó carvões que accendeis o lume das velhinhas, 
  Lume dos que no mar andam botando as linhas... 
  Ó pharolim da barra a guiar os navegantes! 
  Ó pyrilampos a allumiar os caminhantes, 
  Mais os que vão na diligencia pela serra! 
  Ó Extrema-Uncção final dos que se vão da Terra! 
  Ó janellas de treva, abertas no teu rosto! 
  Thuribulos de luar! Luas-cheias d'Agosto! 
  Luas d'Estio! Luas negras de velludo! 
  Ó luas negras, cujo luar é tudo, tudo 
  Quanto ha de branco: véus de noivas, cal 
  Da ermida, velas do hiate, sol de Portugal, 
  Linho de fiar, leite de nossas mães, mãos juntas 
  Que têm erguidas entre cyrios, as defuntas! 
  Consoladores dos Afílictos! Ó olhos, Portas 
  Do Céu! Ó olhos sem bulir como agoas-mortas! 
  Olhos ophelicos! Dois soes, que dão sombrinha... 
  Que são em preto os Olhos Verdes de Joanninha... 
  Olhos tranquillos e serenos como pias! 
  Olhos Christãos a orar, a orar Ave Marias 
  Cheias de Luz
! Olhos sem par e sem irmãos, 
  Aos quaes estendo, toda a hora, as frias mâos! 
  Estrellas do pastor! Olhos silenciozos, 
  E milagrozos, e misericordiozos, 
  Com os teus olhos nunca ha noites sem luar, 
  Mesmo no inverno, com chuva e a relampejar! 
  Olhos negros! vós sois duas noites fechadas, 
  Ó olhos negros! como o céu das trovoadas... 
   
  Mas dize, meu amor! ó Dona de olhos taes! 
  De que te serve ter uns astros sem eguaes? 
  Olha em redor, poiza os teus olhos! O que ves? 
  O mar a uivar! A espuma verde das marés! 
  Escarros! A traição, o odio, a agonia, a inveja! 
  Toda uma cathedral de lutas, uma igreja 
  A arder entre clarões de coleras! O orgulho 
  Insupportavel tal o meu, e o sol de Julho! 
  Jezus! Jezus! quantos doentinhos sem botica! 
  Quantos lares sem lume e quanta gente rica! 
  Quantos reis em palacio e quanta alma sem ferias! 
  Quantas torturas! Quantas Londres de mizerias! 
  Quanta injustiça! quanta dor! quantas desgraças! 
  Quantos suores sem proveito! quantas taças 
  A trasbordar veneno em espumantes boccas! 
  Quantos martyrios, ai! quantas cabeças loucas, 
  N'este macomio do Planeta! E as orfandades! 
  E os vapores no mar, doidos, ás tempestades! 
  E os defuntos, meu Deus! que o vento traz á praia! 
  E aquella que não sae por ter uzada a saia! 
  E os que sossobram entre a vaidade e o dever! 
  E os que têm, amanhã, uma lettra a vencer! 
  Olha essa procissão que passa: um torturado 
  De Infinito! Um rapaz que ama sem ser amado, 
  E para ser feliz fez todos os esforços... 
  Olha as insomnias d'uma noite de remorsos, 
  Como dez annos de prizão maior-cellular! 
  Olha esse tysico a tossir, á beira-mar... 
  Olha o bébé que teve Torre de coral 
  De lindas illuzões, mas que uma aguia, afinal, 
  Devorou, pois, ao vel-a ao longe, avermelhada, 
  Cuidou, ingenua! que era carne ensanguentada! 
  Quantos são, hoje? Horror! A lembrança das datas... 
  Olha essas rugas que têm certos diplomatas! 
  Olha esse olhar que têm os homens da politica! 
  Olha um artista a ler, soluçando, uma critica... 
  Olha esse que não tem talento e o julga ter 
  E aquelle outro que o tem... mas não sabe escrever! 
  Olha, acolá, a Estupidez! Olha a Vaidade! 
  Olha os Afflictos! A Mentira na Verdade! 
  Olha um filho a espancar o pae que tem cem annos! 
  Olha um moço a chorar seus crueis desenganos! 
  Olha o nome de Deus, cuspido n'um jornal! 
  Olha aquelle que habita uma Torre de sal, 
  Muros e andaimes feitos, não de ondas coalhadas, 
  Mas de outras que chorou, de lagrymas salgadas! 
  Olha um velhinho a carregar com a farinha 
  E o filho no arraial, jogando a vermelhinha! 
  Olha a sair a barra a galera _Gentil_ 
  E a Anna a chorar p'lo João que parte p'ro Brazil! 
  Olha, acolá, no caes uma outra como chora: 
  É o marido, um ladrão, que vae «p'la barra fóra!» 
  Olha esta noiva amortalhada, n'um caixão... 
   
  Jezus! Jezus! Jezus! o que hi vae de afflicção! 
   
  Ó meu amor! é para ver tantos abrolhos, 
  Ó flor sem elles! que tu tens tão lindos olhos! 
  Ah! foi para isto que te deu leite a tua ama, 
  Foi para ver, coitada! essa bola de lama 
  Que pelo espaço vae, leve como a andorinha, 
  A Terra! 
   
      Ó meu amor! antes fosses ceguinha... 

António Nobre in "Só"

Straczynski

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#14   
Sabem o que é acordar com uma música na cabeça e ficar a trautear o dia todo?
Este poema é parecido porque desde a primeira vez que  o li não o esqueci e sempre que ouço verde ou campo, a minha cabeça começa a recitar :P
Citar
    Verdes são os campos,
    De cor de limão:
    Assim são os olhos
    Do meu coração.
    Campo, que te estendes
    Com verdura bela;
    Ovelhas, que nela
    Vosso pasto tendes,
    De ervas vos mantendes
    Que traz o Verão,
    E eu das lembranças
    Do meu coração.
    Gados que pasceis
    Com contentamento,
    Vosso mantimento
    Não no entendereis;
    Isso que comeis
    Não são ervas, não:
    São graças dos olhos
    Do meu coração.

mui grande "Luís Vaz de Camões"

deophanto

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#15   
Um grande poeta, não haja dúvida.

Citar
Aquela cativa,
que me tem cativo,
porque nela vivo
já não quer que viva.
Eu nunca vi rosa
que em suaves molhos,
que para meus olhos
fosse mais fermosa.

Nem no campo flores,
nem no céu estrelas,
me parecem belas
como os meus amores.
Rosto singular,
olhos sossegados,
pretos e cansados,
mas não de matar.

üa graça viva
que neles lhe mora,
para ser senhora
de quem é cativa.
Pretos os cabelos,
onde o povo vão
perde opinião
que os louros são belos.

Pretidão de Amor,
tão doce a figura,
que a neve lhe jura
que trocara a cor.
Leda mansidão
que o siso acompanha:
bem parece estranha,
mas bárbara não.

Presença serena
que a tormenta amansa:
nela enfim descansa
toda a minha pena.
Esta é a cativa
que me tem cativo,
e, pois nela vivo,
é força que viva.